Durante muito tempo, cozinhava o que me apetecia, independentemente da época do ano. Tomates em janeiro, abóbora em julho, ervas frescas em qualquer mês. Achava que era uma questão de gosto pessoal. Depois comecei a notar que os tomates de janeiro tinham menos sabor, que a abóbora de verão era mais aguada, que as ervas de estufa não cheiravam da mesma forma que as de horta.
Num verão, decidi fazer um teste simples. Durante um mês, só comprei no mercado o que estava realmente na época — o que os feirantes tinham em abundância e que cheirava forte. Não segui nenhuma lista de “o que comer em cada mês”. Apenas olhei, cheirei e escolhi o que parecia vivo naquele momento.
O que mudou na cozinha
A primeira coisa que notei foi que a comida ficou mais simples. Não precisava de tantos temperos para dar sabor porque os ingredientes já o tinham. Um tomate maduro de agosto com um fio de azeite e uma folha de manjericão era suficiente. Uma abóbora de outono assada com casca e tudo tinha doçura natural que não precisava de açúcar.
A segunda coisa foi que a cozinha ganhou um ritmo. Em setembro, as maçãs e as peras apareciam com força. Em novembro, as castanhas e as nozes. Em março, as ervas novas e os legumes de folha. Não era uma regra. Era uma resposta ao que o mercado oferecia.
O que ganhei com menos variedade forçada
Não ganhei mais opções. Na verdade, em alguns meses a escolha é menor. Mas ganhei mais profundidade. Quando como tomate só no verão, o tomate de verão sabe melhor. Quando espero pela abóbora do outono, a primeira abóbora do ano parece um acontecimento.
Também ganhei uma relação diferente com o desperdício. Quando compro só o que está realmente maduro e na época, uso tudo. Não sobra nada que “não combina com a estação”.
Uma forma simples de começar
Se quiser experimentar, da próxima vez que for ao mercado, pergunte ao feirante o que está melhor agora. Não o que é mais barato ou mais bonito. O que está no auge. Depois, em casa, veja o que esse ingrediente quer ser — se quer ser assado devagar, cru com azeite, ou simplesmente comido como está.
Pode ser o início de uma mesa que muda sozinha ao longo do ano.
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